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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Avesso do Caos

Nós, os organizados, somos bem assim: separamos por cor as meias, as roupas por tipo; usamos marca-texto, postit; amarramos fitas vermelhas no dedo e na alma livre.

Temos sempre hora marcada!

Nunca esquecemos... a agenda, o celular, a carteira ou as chaves; conferimos todo o tempo os bolsos e bolsas e é assim que perdemos - nas chaves não esquecidas, nos celulares carregados, na parte que não nos esquecemos de grifar do texto, na manhã que acordou na hora, na cor vermelha que não era goiaba - pequeníssimos prazeres como o de não ter reserva no hotel e haver vaga; de ter esquecido a chave, mas ter alguém em casa esperando; o de não ter pedido, mas alguém ter adivinhado que um algo essencial precisava ser feito e na hora certa; a delicia do encontro inesperado...

Perdemos a oportunidade de comunicar-nos com a alma, as vezes até de viver... Perdemos o acaso, a festa surpresa, a oportunidade, o perder-se...

Se me ouvissem, os sábios diriam que é preciso haver um pouco de caos para que se faça o mínimo de organização, mas as vezes o caos é bem mais como um vício, não como os vícios que conhecemos, vício de querer o inesperado, de não rogar pelo correto, de abraçar o incerto, de desconstruir e construir ao avesso sempre.

Dos vícios e drogas, prefiro o caos.

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