
Lá vai! Morreu.
Do nosso amor me lembra a suavidade…
Da estrela não ficou nada no céu
Do nosso sonho em ti nem a saudade!
Pra onde iria a ’strela? Flor fugida
Pra onde iria a ’strela? Flor fugida
Ao ramalhete atado no infinito…
Que ilusão seguiria entontecida
A linda estrela de fulgir bendito?…
Aonde iria, aonde iria a flor?
(Talvez, quem sabe?… ai quem soubesse, amor!)
Se tu o vires minha bendita estrela
Alguma noite… Deves conhecê-lo!Falo-te tanto nele!…
Alguma noite… Deves conhecê-lo!Falo-te tanto nele!…
Pois ao vê-loDize-lhe assim: “Por que não pensas nela?”
Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916
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Sol Posto
Sol posto.
Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916
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Sol Posto
Sol posto.
O sino ao longe dá Trindades
Nas ravinas do monte andam cantando
As cigarras dolentes…
E saudadesNos atalhos parecem dormitando…
É esta a hora em que a suave imagem
É esta a hora em que a suave imagem
Do bem que já foi nosso nos tortura
O coração no peito, em que a paisagem
Nos faz chorar de dor e d’amargura…
É a hora também em que cantando
É a hora também em que cantando
As andorinhas vão p’lo meio das ruas
Para os ninhos, contentes, chilreando…
Quem me dera também, amor, que fosse
Quem me dera também, amor, que fosse
Esta a hora de todas a mais doce
Em que eu unisse as minhas mãos às tuas!…
Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916
Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916