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quarta-feira, 25 de abril de 2007

Poema: Sônia Pavan

Poema "roubado" da Sônia... minha eterna amiga!!

Crianças dormindo em úteros de papelão
Minha mãe, tua mãe
Catedrais em ruínas na minha mão
....o fim do mundo, enfim!
Minha mãe, não tenhas pena de mim!
Que tudo que eu quero
Se quero, se posso
É ver o pôr-do-sol maravilhando outros olhos
Que não os vidros destas estações de santos
Que não os mantos das almas espessas de marfim roubado,
Que não o fim dos mares, luas e lendas
(sendas abertas para os magros de espírito).
Luz sem alimento, eu te digo, minha fonte
Que hoje durou tanto tempo
Que brincaste comigo na tua monótona eternidade...
Que teu espírito bestificado
Marcou minha fronte e minha mão
(como se eu fosse tua...)
E, aliás, que papelão!
Deixar ao chão as marcas dos teus pés incompetentes
A torturar o caminho dos que ainda crêem
(e ainda os há)
Que o terremoto nos vitrais será caleidoscópico!
Que o fim será, enfim, o Fim.
Ai, que pena que tenho só de mim
Quando vislumbro a sangrenta descoberta da alma
Alma que roubo do teu manto, Mãe
Pra cobrir as crianças que dormem
Em úteros de papelão...
Pisos frios, onde eu sonhei
Haveria de sangrar alguém
De compaixão!

Sônia Pavan

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