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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Logia da volitação

Que fome é esta que ao espírito tem consumido,
se de tudo que é mundano, sublime e vadio tem comido?
Que sede é esta que não tem cessado,
Se de toda fonte tem bebido, todo ar respirado,
Toda sensação sentido?

Os sabores, com voracidade experimentado
e ainda ilesa essa vontade tem persistido.
A misteriosa volição inacabável exercido?
No amargo e no mais ácido, há vivido?

Querendo ainda experimentar, tem ansiado,
ensaiando como se unicamente a experimentar,
esse exercício raro, tivesse sido dado.
Não mais que a relva, há se entregado,
a desenvolver-se ao sabor do infindo mistério, o incontido.

Sem mais quês, à todo mistério sobrevivido
e cada máscara que Ele veste desvendado.
Os pés que calcam a terra, presença têm firmado,
Calejados, sem novas terras terem ainda tocado.
A terra é fogo que queima sem nunca ter possuído
Destino fora de tempo à possuir-te sem que fosses consumido.

Poeta Eterno
Sem parênteses
Sem ponto
Sem começo e sem fim
Alpha e Ômega
Envolto em energias etéreas de transmutação

domingo, 18 de setembro de 2016

O chamado

Há um chamado etéreo que ouço, rouco, estragado pelo espaço, refletido em espelhos catatonicos, em espasmos ritmados.
É onda que reverbera e repercute em ecos frágeis e ininteligíveis aos meus olhos cansados e doloridos. Código este que quis outrora decifrar e já hoje imediatamente escolho representar, encaixando espaço e corpo em movimento.
Abrindo a perfeita harmonia do que vive, move-se conforme o que tão já se torna música, sem, no entanto, prescindir de sua qualidade mais essencial: ser O chamado, o tão irreprimível, irresistível em essência.

[Poeta Eterno]

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O que seria dito

Não consigo parar de pensar no que teria sido se tivesse sido. Acontece que nesse caso de ser eu não era.
Era tão pequeno que o vento me fazia leve, ao seu sabor, pipa a desconfiar da linha.
Sendo eu, já não bastava porque me faltava eu a dar sustentação ao que teria sido.
Na foto, que hoje encontro tão ou mais brilhante que outrora, me encontro mais fraco, talvez, do que antes apenas por não conseguir sequer lhe dizer palavras quase simples e amargas, talvez por este fato, sinto muito, eu quis ser, eu só ainda não era.
Hoje que sinto ser não assumo coragem sequer para dizer-lhe o que, sinto, deveria. Me sento a sentir cinza, aguardando que se importe em me desejar bom dia por vários dias. Ate que me assalte a coragem, me roube do meu eu mais racional para esferas lunares onde, enfim, dizer-lhe-ia o que nem escrever posso.

[Poeta Eterno:live]

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