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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Só à mim (Ousar não pertencer).

[Poeta Eterno]

Nascera eu, antes de ser eu, teu.
A presença insubordinada à minha vontade,
Os laços que sentia atando à um destino de copas,
"Só solidão restituirá o eu".

Nem com olhar de tédio me recebera,
Sequer me vira, sequer me compreendera,
O Eu nesse estado em que eu não era,
"Só solidão reconstruirá".

Persistente, eu era
E mais sendo eu, mais eu era só e teu.

Este não pertencer-me, sem presença,
Não ser eu de mim mesmo era lancinante,
Não ser se não houvesse copas,
Faísca lúgubre roubando o Sol.
Só solidão restará.

Na angustia em que nascera, sem presença,
Sabia, que de todo você não era,
E se fosse, já me tornara mal.
Ousaria me roubar de ti
Para nunca mais pertencer
Se não à mim?


[Sentir que lhe vai cá dentro uma faísca que rouba qualquer Sol, um pertencer que mata sua vontade, transcende a racionalidade. Nascer um Ser teu, não ter sequer vontades. Nascer um Ser teu é ser Teu antes de ser. Saber ou sentir isso é arrebatador e revira minhas luas mais cheias... E me provoca porque me torna mais um cavaleiro de copas]


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