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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Interpretação - Baudelaire



Sobre o céu e o mar
Muito alem do sol e do horizonte
Para alem dos tetos estrelados
Meu espírito vai
Ágil, levado por volúpia
Vai em busca de um ar superior
Na sede de beber
Como um puro e divino licor
O claro fogo que enche
Os límpidos espaços
Quero abandonar todo peso
E lançar-me rumo ao céu da manhã
Em vôo plano sobre a vida
Para entender afinal
A linguagem da flor
E da matéria sem voz
[C. Baudelaire]


A existência de um sentimento de plenitude tamanha, de unificação de tão intensas personalidades e egos, a existência de um entusiasmo (do grego em Teos, em Deus) direcionando a experiência de vida e trazendo à tona um conteúdo não revelado, oculto pelas cortinas da Grande sacerdotisa. A descoberta de quem somos. É sobre isso que acredito falar o texto de Baudelaire, que já me conquista desde sempre.
A atmosfera de irreal expressa por "Muito além do sol e do horizonte", um ambiente onírico, antessala do acesso ao Todo que se manifesta (em referência à Cabala). Vai ele, em busca de um ar superior, em busca de beber do claro fogo. Vai, abandonando os pesos do caminho, transcendendo as formas de manifestação (de ouros), submergindo no seu próprio ser, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, olha sua própria vida, imparcialmente de cima.
Por fim, ao alcançar o Todo, entende de toda a matéria, antes sem voz, e de toda flor a língua que ali jaz.

Isso me traz à Lucy do Aronofsky que posso comentar algum dia.
https://www.youtube.com/watch?v=1oJR6Di0Eck

A tradução do texto, originalmente em francês foi extraída de http://andremorais.com/letras/, que acredito ser mais uma paráfrase musicada. Por acreditar mais condizente com o sentimento, utilizo esta paráfrase.

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