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domingo, 28 de junho de 2009

As implicações do verbo chorar


Se me fui, e não me deixaria aqui pra morrer,
É porque talvez morresse se ficasse.
E se ficasse seria preso por mim, fadado ao desconhecido.
Brada o poeta: "Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"¹ Vamos de mãos dadas!! Vamos de mãos dadas sempre.
E o eco da memória não nos deixa livres... Mas se fossemos livres, não seríamos.
Talvez não fossemos.
Talvez não sejamos.
Insistimos, no entanto, em preferir o nós.
Insistimos no verbo de nosso estado, árduo e árido como é.
Penso que chorar talvez não devesse ser verbo. Poderia ser quem sabe substantivo, dizendo sobre algo de longe, algo de fora, algo que talvez não conhecêssemos se não houvesse enterrado nele a obrigação de ser verbo... Seria algo a olhar e dizer: Lá esta o chorar e como é belo! E como me faz rir. Esse chorar é um palhaço!
O verbo nunca se sabe se é bom ou ruim, às vezes chora rindo... Como pode? Já com o substantivo? Todas essas confusões ficam de lado. Tudo é mais simples, tudo é mais fácil... Mas a nós, sempre cabe complicar ainda mais as coisas complicadas.
Tudo seria mais simples, se chorar fosse uma estátua, uma linda obra de arte a se observar, mas sem comover-se demasiadamente. Não poderíamos chorar de emoção ao vê-la. Seria bem metafísico viver a estátua.
Há tantas coisas boas ao não-verbo chorar que às vezes penso... Mas se não fosse verbo, tantos outros verbos não seriam possíveis, como o rir, o amar, o sublime reconciliar e o enxugar o choro logo após.
Assim, caro leitor, sou levado a dizer que chorar precisa ser verbo! Verbo porque personifica estado, ação ou fenômeno de natureza figurativa, mas figurativo e presente. Verbo porque não podemos esquecer que nem só de pão vive o homem, mas de todo o pranto que nos puxam goela a fora... E que pra toda dor que dura, há uma infinita alegria ínfima.
Melhor chorar.
Poeta Eterno
Citação presente no texto:
1 - Carlos Drummond de Andrade - Mãos dadas.

domingo, 21 de junho de 2009

Quando

Quando...

Quando nos puxamos pela mão
E passamos a andar juntos e leves
Sumimos e esquecemos de nós.
Plurais e singulares,
caminhamos, corremos, andamos,
Fornecemos um amor e discorremos
A decorrencia do acaso.
Ainda que cambaleantes insistimos em preferir o nós,
As mãos se abrem então abrimos mão do não.
Crescem em nós pequenos versos-daninhos
Daninhos pq não nos é possivel arranca-los sem que dois nascam no lugar.
A sumir na imensidão de quem somos, prosseguimos.

Poeta Eterno

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ginástica Ritmica (Desenho) + Se não Falas (Tagore)

Autoria: Poeta Eterno (C)

SE NÃO FALAS
Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Rabindranath Tagore

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